Muitos de nós ainda tem vivas na memória as lições da escola. Na minha época, e não está tão longe assim, a escola era coisa séria. A profissão de professor era sacerdócio e não forma de enriquecer ilicitamente ou trabalho usado como degrau para atingir cargos políticos. Ahh!! Bons tempos!
A gente fazia uma lição acompanhado de perto pelo professor exigente e que nos servia como exemplo. Eram professores que não destruíam o patrimônio público e sequer arranhavam a honra da categoria oferecendo dinheiro ou benesses em troca de favores. Eram sérios, honestos e focados na sua profissão. Nos ensinaram, a mim com certeza, a passar a limpo todo rascunho que rabiscávamos nas folhas dos cadernos.
Isso foi uma lição de vida. Nada que se faz, mesmo com esmero e dedicação, deve ser considerado definitivo. Na vida sempre estamos rascunhando algo e sempre precisamos passar isso a limpo, como nas velhas e boas lições escolares. Passar a limpo!
Fui remetido a essa expressão, o "passando a limpo", por conta dos últimos acontecimentos envolvendo a cidade de Dourados, prefeito, vereadores e cidadãos comuns. "Estamos passando Dourados a limpo" teria afirmado um professor com muita propriedade, diga-se de passagem, pois nunca na história de um município se viu a necessidade de ações para "passar a limpo" o rascunho mal feito da sua administração. Um rascunho que até mesmo para os melhores grafologistas ficava impossível de se entender.
Agora, só o fato de passar a limpo não é o suficiente. É preciso fazer o dever de casa. É preciso, como diriam os mais teatrais, cortar a própria carne.
O desafio é: podem os novos vereadores adotar medidas sérias para realmente passar a limpo a cidade de Dourados.
Que venham a público os senhores Cido Medeiros, Juarez do Esporte, Cemar Arnal, Bebeto e Walter Hora explicar as acusações que lhe caem sobre a cabeça revelando que recebiam da Câmara de Vereadores enquanto suplentes, configurando isso um crime contra o patrimônio público. Que venha o senhor Pedro Pepa dizer que não cometeu crime ao nomear um funcionário público em seu gabinete e explicar as razões desse comportamento.
Passem a limpo. Mas passem a limpo mesmo, fazendo a lição de casa.
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